eutênh'ò(um)blög

c o n ce i t u a l.
episódio 4:
cinco temas e o mundo.
estágio:
tema três: proximidade.
[anterior: ineditismo.
vericidade.]
encerrados:
episódio_3: [glass remains gold]
episódio_2: [cartas à]
episódio_1: [música de fundo]
oobrggad pel vishtah, leitor.

estado de espírito:
Alguma coisa entre
The Magic Hour, do dEUS, e
Morena, dos Los Hermanos.






Sexta-feira, Setembro 30, 2005


try to erase this from the blackboard.

Pode ser que o show do Pearl Jam em São Paulo seja cancelado, por duas razões. O show poderia acabar depois das dez, como o da Avril Lavigne e, ao contrário de jogos de futebol, causaria barulho e incômodo aos moradores. Isso é a notícia estampada na Folha de São Paulo de hoje, em nota. A notícia está repetida em alguns lugares da Internet. Apenas em dois pontos, esse jornal A Tarde e no site da MixFM há notícias sobre manifestação dos fãs. Abaixo-assinado, emails à prefeitura.
A manifestação dos fãs, no começo desse ano, reuniu 7.000 assinaturas e, dizem, ajudou a trazer os tais ao Brasil.
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abaixo-assinado aqui: http://new.petitiononline.com/pjsp/petition.html
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*update:
_no orkut, emails disponíveis:
cultura@prefeitura.sp.gov.br
prefeitura@prefeitura.sp.gov.br
smcis@prefeitura.sp.gov.br
Que, dizem, têm as caixas cheias durante todo o tempo.
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Lúcio Ribeiro acalma os nervos. Lúcio Ribeiro diz que, sim, teremos show em São Paulo, pára de chorar.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult512u260.shtml
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Acho que não vou ter que falar com mais pessoas no MSN, nem continuar no Orkut, nem enviar emails.
Disse um amigo meu que checou, o tal abaixo-assinado aumenta 30 adesões por minuto.
Aparentemente.

posted by b.m. at 12:59 PM conceitu.e:
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Quarta-feira, Setembro 28, 2005


a amplitude individual.

Assim como vocês, não gosto da palavra "necessidade". Também desprezo um qualquer que se diga capaz de "manipular meus pensamentos". Mesmo que seja exatamente o que uma escritora como Agatha Christie faz. Ou naquele filme, Adaptação, minha inteligência foi manipulada de modo incrível, que só percebi o ardil depois de passar algum tempo por ele. "Filho da puta", eu pensei, "Filho da puta, ele fez o conselho, ele mudou a história". Xingar a mãe de um autor é elogiar o modo como ele te usou. Eu, no cinema, fim de Jogos Mortais: "Filho da puta! Eu devia saber! Filho da puta!".
Mas quando alguém afirma que manipula meus pensamentos, diz que algo que eu tenho de profundo está exposto. O espaço do qual eu sai, pelo qual entendi, ao qual eu sempre voltei quando só. Puxando daquela canção
_me, I figure as each breath goes by: I only own my mind._
___do Pearl Jam, que diz: eu sou meu. Minha visão de eu, que crio sobre pressão, que uso para entender o conceito novo, usando de conceito velho - o lugar pra onde eu volto quando acuado. Minha amplitude individual. O ponto primordial nessa discussão sobre proximidade, se me permitem dizer qualquer coisa. A sua primeira posse é uma coisa que sempre vai defender. Seu primeiro e mais longo projeto é algo a ser protegido pra sempre.
Assumir a necessidade é dizer que minha amplitude individual não é bastante. É dizer que alguém pode usá-la a seu bel prazer, que não está guardada no lado esquerdo do peito. Que sou alcançável. E vocês - deus meu, como defenderam o amor! Que ele é inescrutável, indescrítivel. Como se eu tivesse dito o contrário. Se tudo que afirmei foi que as pessoas aproximam por necessidade. Porque a sua intelectualidade, seu lado emocional ou físico ganham algo com isso. Ou todos. Se eu disse que amor e amizade eram outros nomes para confiança - devem considerar a confiança algo pequeno.
E como detestam o egoísmo. Mas me diga, ó leitor feito de luz e compaixão, o dia em que fez algo em que não ganhava nada. Qual o momento em que andou sem motivos, nem objetivos, a nada ganhar? Mesmo enquanto perdia, sabia que ganhava. Talvez, quando andava sem motivos, sabia que era algo relevante andar sem motivos. Agraciado seria. Não foi.
Assumir o óbvio do egoísmo - eu penso em mim mesmo - é expor sua amplitude individual. É dizer sua direção. Assumir que as pessoas vêm, no princípio, pela necessidade de algo também é. No amor, que, dirão, as amplitudes tendem a se unir, reduzir isso a uma expressão de dicionário é ofensivo porque as pessoas defendem esta amplitude plural. Considerada como sendo todo um mar. Disse tal certa vez: mesmo que o seja - apontamos o infinito desse oceano e dizemos: H20. E não erramos.

posted by b.m. at 10:45 PM conceitu.e:
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Domingo, Setembro 25, 2005


o que foi dito, um; dois, o que digo.

1. Matéria atraí matéria como pessoa atraí pessoa; se assim for, quem sabe outras colocações tenham lugar - pois as moléculas que se agrupam o fazem, diz-se, pela carência - encontra-se o equilíbrio em conjunto. Com um pouco de pressa, poder-se-ia dizer que toda relação humana nesse mundo é regida por essa lei - você, leitor, gosta da sua mãe, do seu pai, da sua avó, da Tia Margarida apenas e tão somente por necessidade, porque a pessoa supre algum vazio seu. Diriam que qualquer relação dura o tempo da necessidade morrer.
Variando pelo contexto, e, é claro, há necessidades que nunca morrem. As mais agradáveis, diriam. Um exemplo já foi dado antes, nos comentários - esse contexto de medo coletivo, em que as pessoas se unem mais facilmente: esse texto afirma que as pessoas se unem mais facilmente porque, súbito, necessitam intensamente da ajuda alheia. O mundo é um mundo egoísta.

2. A proximidade social seria administrada por essa relação de vontade, de sede e de fome das duas, três, centenas de partes de um grupo. Quanto mais sede, mais aproximação - e talvez o outro lado se afaste, pois não precisa do mesmo. No livro Feliz Ano Velho (daquele autor que agora esqueço o nome - mas há o Google, se o senhor está mesmo morrendo de vontade de saber) há uma parte em que se descreve os amigos do protagonista pela relação que tinham entre si: com esse aqui eu jogo xadrez, com esse falo de mulher, com esse outro eu tenho meus planos financeiros. Mesmo os dezoito citados no post abaixo podem ter um ou outro exemplo empírico disto.
E ela seria relativa a abertura de um à necessidade do outro. O cristianismo liberta e deixa as pessoas supimpa de felizes porque é isso o que prega, que se abram à carência de, diria Nieztche, qualquer imbecil. A amizade, o amor, estes nomes diversos pra confiança, todos eles baseados no fato de que alguém estará lá quando você precisar. E, quem sabe, essa relação de carência cegue uma pessoa às características de outra que não lhe importem, que não lhe supram - isso talvez, justifique a afirmação do post abaixo: não vês, em verdade, os que estão a sua volta.

posted by b.m. at 8:50 PM conceitu.e:
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Terça-feira, Setembro 20, 2005


post gigante que visa interligar tudo num só, olha.

Como foi costume nos temas precedentes, começo a tratar do assunto sem ter exatamente uma opinião sobre ele; pela verdade, contestei certas afirmações que são consideradas corretas, a procurar uma só que restasse, uma só que fosse absoluta. Não possuia parâmetros - os textos deveriam ser instituintes, atrair a idéia pelo caos causado: exceto em alguns erros de transição, o post posterior a outro nasceu da caixa de comentários. Das proposições dos leitores.
Desenvolvendo uma ou outra afirmativa alheia, postulei (oh, oh, que pomposo: "postulei") um ou outro princípio, a saber:
_o indivíduo não vê, em verdade, os que estão a sua volta.
___pela variedade de idéias opostos, a verdade é relativa ao contexto.
_____pela variedade de ritos, as religiões conseguem o objetivo oposto.
E algumas outras, como a que diz que os católicos, evangélicos, macumbeiros, budistas e similiares mais ou menos fantasiados são tão estúpidos quanto os personagens de Gulliver. Assim, seguindo o feedback, eu teria a chance de contrariar o leitor e receber alguma resposta, criando uma espécie de diálogo em um blog; chegando a algum lugar com tudo isso. Pelos resultados: ou os leitores concordaram enfim, ou comentaram por comentar, ou não se notaram contrariados. Mas eu insisti no método, persistente como uma besta.
Do ineditismo, sabia menos, e nesse foi o que mais avancei. A Marcely talvez tenha me dado metade do que apreendi. Ela diz que as pessoas são iguais na sua diversidade, pois somos formados pelos mesmos elementos. Assim como tudo a sua volta é constituído dos mesmos elementos químicos, leitor. Pelo inédito, para tentar resguardar uma persona nova, descrevi ali, ali e ali:
_____("...caminha meio pro lado, como uma pata, diria uma...")
___("...pessoas fingem personalidades nas roupas de duas formas...")
_("...devia se lembrar de quem já ouviu suas histórias...")
E mais cinco outras, mas vocês conheciam semelhantes. A propósito, esse link do meio era, junto com duas outras descrições, imagens diferentes da mesma pessoa. O Trunkael descobriu o truque e apostaram nele como a pessoa descrita. Alguns outros pegaram um dos posts e assumiram a foto. Tenho duas coisas a informar a respeito: um - o rapaz não é o Trunkael, aquilo é uma visão minha de mim. Isso quer dizer que vocês nos acham parecidos. Dois - pessoas que assumiram a foto, não há muita coisa justa ali, vão precisar mentir muito para garantir alguns dos adjetivos dali. Mudem.
Logo aqui abaixo, algumas considerações sobre o que seria esse inédito em relação a nós. Supõe uma necessidade meio inata da novidade, diz que ou buscamos eternamente ou nadamos na angústia. Não sofri grandes contestações, e se vinte me visitam e dois ampliam, ou eu sou muito esperto ou sou visitado por dezoito idiotas. Se a carapuça servir, vista.
Da proximidade, da proximidade eu não sei nada, que principio os textos sobre os temas sem nada conhecer sobre eles. Minha inteligência, como a de Sócrates muitas vezes, se baseia na manipulação da sua. Quando consigo, é claro.

posted by b.m. at 11:16 PM conceitu.e:
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Domingo, Setembro 18, 2005


said: hey, hey, baby - take a walk on the wild side.

Sem vontade alguma de postar. Quando me ocorrer voltar a esse blog, vamos falar de proximidade É o próximo tema.

posted by b.m. at 7:16 PM conceitu.e:
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Terça-feira, Setembro 13, 2005


mas se concordamos, veja.

Mas se concordamos que o consumo do inédito é como um ciclo, algo que precisamos, algo que nos alimenta e mantém - afirmar a inutilidade deste ciclo seria tão tolo quanto alguém que se revolta por ter de respirar.
puxando de Pablo Neruda:
e não tem caminho para livrar-se do sol senão a morte.
Talvez, só talvez, se a necessidade é tão freqüente, se precisamos do inédito com uma voracidade maior - talvez aquilo do que nos alimentamos não seja bastante. O problema não estaria no ciclo, e, sim, no modo pelo qual nos encaixamos nele. Porque o que não nos serve em verdade, como uma roupa que é pequena, como água não potável, como o ar de São Paulo - o que não nos serve em verdade, ao menos, bem nos cabe. E a tudo nos acostumamos, nós, seres humanos, seres adaptativos. Mesmo que adaptados ao falso.
Mais comparações empíricas: a voracidade com que ingerimos o inédito pode nos cegar - assim como quando comemos muito rápido, e não se sente o gosto de nada. Assim como uma pessoa não se lembra de 70% das notícias de um jornal, assim como não se lembra de um rosto em mil, num dia. Duas proposições cá acima: a necessidade se torna freqüente pela ineficácia daquilo que conquistamos, a freqüência nos torna cegos pela voracidade.
A adaptação reduz até a mensagem nas coisas. Creio que, na primeira vez que falou de Deus___
(aqui) (aqui)
___o Rafael teve seu post lido como "texto que fala de Deus". E depois, os posts eram "textos em que o Rafael fala de Deus". A adaptação dá nomes às coisas e as deixa de lado como já conhecidas, como dispensáveis. Mas isso é bom, diz você, afinal, puxando de um texto deste blog:
nem Cristo nadou o Índico inteiro.
Mas se concordamos, veja: o inédito pode estar em todo lugar todo o tempo, podendo nos abastecer a cada instante, como em um exemplo de um livro - olhe a sua volta. Agora procura por pregos a sua volta. Procure por falhas, não sei, não me critique pelo exemplo, observe a idéia - a fome encerramos comendo, a sede encerramos bebendo - o ineditismo vital se mata com a procura. A procura incessante.

posted by b.m. at 10:52 PM conceitu.e:
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Sexta-feira, Setembro 09, 2005


tornando à pauta.

O ineditismo. Ao que parece, não há nada de novo no mundo, assim como não há água nova no mundo. Um ciclo. A novidade é como algo que queima. Nos é dada, e dura o tempo de sua força; se é esquecida, se outra novidade lhe é sobreposta - pode voltar, outro dia, a ser novidade, quando revista. Um ciclo, como o ciclo do carbono, que, tu concordarás, leitor, deve ter algum motivo, alguma carência que nos é inerente. Pode-se explicar um ser humano pelas suas carências: emocionais, corporais, intelectuais. Aquilo que uma pessoa precisa diz o que ela quer, antes que ela deseje conscientemente;
puxando de Clarice Lispector:
minha exigência é o meu tamanho, meu vazio é minha medida.
A intelectualidade cansa. A intelectualidade exige a mudança assim como os pulmões exigem oxigênio. Aparente pressuposto para um ser humano é o desejo de variedade: é o olhar em volta e dizer, não pode ser só isso, não pode ser só isso. A fome é sintoma da falta de alimento. A angústia é sintoma da falta de ineditismo vital. A angústia é a distância daquilo que você é para aquilo que você quer ser, mesmo que este querer não tenha uma imagem formada.
Mas a mudança que a mente exige é para si mesma. A mudança em si se baseia na confiança de que o mundo ainda estará lá, do mesmo modo. Aparentemente, um homem procuraria a variação ao mesmo tempo em que deseja ardentemente que nada mude a sua volta. Mudar os outros sem ser mudado, interferir sem que possa ser tocado. As obsessões, as ideologias, as convicções, a religião - elementos que se comportam como faróis; a pessoa se torna disposta a mudar, pois terá para onde voltar.
puxando de Clarice Lispector:
não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável.
Ou talvez eu esteja errado.

posted by b.m. at 1:18 PM conceitu.e:
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Terça-feira, Setembro 06, 2005


i know it's already been sung, but it can't be said enough.

O problema é que tudo o que eu tinha a dizer já foi dito antes de mim. Minhas melhores idéias, roubadas por furtivos; eu escrevia, vai minha tristeza, e diz a ela que sem ela não pode ser - e Tom Jobim, furtivo, me copiava, logo ao lado. Do mesmo jeito com mais uma canção, que dei pros los hermanos - ficou meiga demais, Camelo, fala que é tua, fala que é tua. Cantarolei perto dele: me lavra a alma, me leva embora, me laça a alma - posso ficar? Pode, Camelo.
Sentado na minha mesa, um clichê enorme me diz que resolveria esse texto com três monossíbalos, pra mensagem, e três sílabas, para o nome. Mas não, não te parece pouco? Diz que só os clichês são verdade, como naquele filme com o Al Pacino. Sabe que até mesmo o Robert Smith me roubou uns versos?
Spinning on that dizzy edge | I kissed her face and kissed her head
And dreamed of all the different ways I had to make her glow
Why are you so far away?, she said,
Why won't you ever know that I'm in love with you?
Sem ter descaramento, tomou minhas palavras, o pilantra. E sabe que assim não me sobram mais palavras. (tell her that you'll love her eternally), quê isso, Thurston Moore, direto desse jeito não pode. Tem que ter todo aquele volteio. Meu único problema é que tudo o que eu tinha a dizer já foi dito, e não consigo nem dar feliz aniversário, pois duas palavras me parecem pouco. Eu resolvia tudo com três monossílabos e três sílabas, diz o clichê.
Será que me sobrou uma canção? Porque todas as canções que eu fiz, eu fiz pra - e o Camelo também me roubou essa. Mas veja só, não é que me sobraram alguns versos? Numa música que mistura inglês e português.
pois nunca quando o sal queimou minha retina
nunca antes quando o mar e a tormenta ao fundo me traziam
nunca eu encontrei tesouro tão valioso
e se um dia eu perdê-lo, num fosso estarei de novo.

Não consigo nem dar feliz aniversário. Mas você vê, todas as idéias que me cabem bem me foram tomadas. (i wonder how he´s gonna make her smile) - tem aquela música, do Eels - theme for a pretty girl that makes you believe that god exists; YEP, mas primeiramente a originalidade. Onde mesmo eu ouvi isso? And i've just seen a face, i can't forget the time or place we just met - she's just the girl for me and I want all the - já usaram. Ah, nem parabéns eu consigo dar.

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