eutênh'ò(um)blög [: c"onceitua.l

c o n ce i t u a l.
episódio 4:
cinco temas e o mundo.
estágio:
tema dois: ineditismo.
[anterior: vericidade.]
encerrados:
episódio_3: [glass remains gold]
episódio_2: [cartas à]
episódio_1: [música de fundo]
oobrggad pel vishtah, leitor.

estado de espírito:
Alguma coisa entre
Fell in Love With a Girl, do White Stripes, e
LoveSick, do Bob Dylan.






Terça-feira, Agosto 30, 2005


pessoa #8

Pessoas fingem personalidade nas roupas de duas formas: sendo obsessivos com a forma ou sendo displicentes em relação a ela. Nenhum dos dois têm valor em si, mas tendemos a acreditar que os primeiros são fúteis: o menino descrito aqui não quer ser considerado fútil. Talvez não admita: não conseguiria manter a futilidade, mesmo que tentasse. Pessoas fingem convicções que, na maioria das vezes, existem por falta de escolha - uma pessoa dada a pensar muito, ou dada a ter muita ética não consegue largar isso e aquilo: é como fedor. O menino descrito aqui tentou isso, uma vez: deliberadamente anulou o que era, porque o que era não lhe agradava. Seu orgulho pedia mais glórias. Seu egoísmo lhe deu meios, só tinha que abandonar isso e aquilo. Algumas mudanças. Outro dia, o rapaz me disse que esses dois sentimentos, tudo o que é, devem ser sua essência. É por isso que ele me diz: não confie em mim. Digo o mesmo pra ele. Rimos: e às raças condenadas a cem anos de solidão não há uma segunda chance sobre a Terra.

posted by b.m. at 9:32 PM conceitu.e:
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pessoa #7

A priori, ele não confia em absolutamente ninguém. Talvez tenha lido demais, essa é uma possibilidade, ele vê um caso e possíveis ocorrências lhe vêm à cabeça. Talvez julgue as pessoas. Não, é menos um julgamento do que uma análise. Porque as pessoas, no meio das frases, lembram outras pessoas. Ele aprecia, espera que sejam parecidas em outras ações. E, por vezes, são. Ele tem regrinhas. Pensa que as pessoas, a priori, são capazes de fazer qualquer coisa (qualquer coisa) e serão capazes de expor razões excelentes. Vezes demais, pensa que por entender as razões, por sua empatia, deve perdoá-las. Talvez pense que é juiz: determina o número de vezes que uma pessoa pode errar. Mas mente a si mesmo: por seu orgulho, nunca mais confiará nela, pelo resto da sua vida, para depois de sua morte, pelo século dos séculos. Porque há dois meios de desconfiança: um é comum, pelo provável, que é infinito. O outro diz que todo o feito pode ser repetido, como algo normal. A priori, ele morrerá sozinho, a menos quando deixa de pensar. Sim, é possível.

posted by b.m. at 9:32 PM conceitu.e:
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pessoa #6

Cabelos negros, olhos castanhos claros. Não fala muito, se não tem o que dizer. Não obstante, não presta demasiada atenção nas pessoas. Vezes demais, o assunto é interessante e somente por isso a pessoa ganha importância. Ele culpa os próprios devaneios: vezes demais, perdeu-se em pensamentos e não ouviu uma palavra do que o outro dizia. Concorda, pergunta algo solto sobre o fim da frase. Ninguém nunca percebe seu desinteresse. Claro, isso em um estágio inicial. Ele próprio diria que, se a pessoa é dona de um afeto maior, ele pode ouvir qualquer idiotice que ela expresse. Alguma pessoas lhe dão a confiança que ele não merece, nas palavras dele, e quando isso acontece, ele se esforça por acompanhar, tenta acrescentar algo à história. Vezes demais, só ouve. O incrível é que isso dá certo e parece ser tudo o que queriam que alguém fizesse. O garoto se sente útil nesses momentos. E ouve, talvez pelo prazer de ser útil.

posted by b.m. at 9:32 PM conceitu.e:
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Domingo, Agosto 28, 2005


caderno de escola.

prisões são todos os sentimentos
que te prendem a um momento.
e então os momentos seguem
e o seu corpo é arrastado.
mas não é tão fácil perceber-se preso
e há até mesmo vontade
de ser encarcerado
- já me prendi à coisas ruins tantas vezes
que sei bem o que me é bom
e o que é bom sempre deixa de ser bom!
e o que é bom sempre sempre deixa de ser bom?
(espera um pouco, que eu quero chorar)
[meio que surgiu assim
um vazio sem aviso
talvez efeito do remédio que tomei?
perceba que eu não consigo chorar -
me disseram que meus olhos secaram.
são eles inteiros a desgraça de um mar
a lembrança das coisas que um dia
ali nadaram. meus olhos secaram.]
cegueira é todo sentimento
que confunde todos os outros.
e você, então, não sabe o que alimenta
e o que é decepção
estou cego
tudo pra mim é prisão
por que estou me defendendo?
eu só estou me defendendo!
mil muralhas a minha volta
[se aproxime e prove
do sabor dos meus canhões.]
(espera que eu quero lembrar)
que jesus falou de oferecer a face
mas não há duas chances com a pólvora.
eu, que não sou forte, digo:
talvez a força seja um erro!
[eu só estou me defendendo!]
(e talvez não deva se defender)
dez mil soldados e dez mil trincheiras
(a distância de você ao mundo)
o sabor dos meus canhões
(se as balas destroem jardins jovens, nada cresce)
minhas armas têm gosto de medo
o medo me prende à minha fraqueza
esta, agora, toda bonita, toda enfeitada
estou preso à beleza que criei
meus olhos secaram.
e não posso chorar a minha ___.

posted by b.m. at 4:04 PM conceitu.e:
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Quinta-feira, Agosto 25, 2005


citações anotadas.

com quantos reais se faz uma realidade?
---
(...) counting and breathing
disappearing in the fade
they don't know
i'd never do you any good
stopping and staying
i would if I could (...)
---
"Perguntei-lhe se sabia o que era copular. A imagem que ele tinha de um homem copulando com uma mulher era assim: uma contorção neurótica de um bicho misturada à ferocidade de uma horda de cães famintos, que é o homem; devorando um ser ilusório feito de mistério e luz, que é a mulher"
---
(...) cause when the blood begins to flow (...)
when i'm cloosing in on death
and you can't help me now, guys
and all you sweet girls with your sweet talk
you can all go take a walk (...)
---
"palavras de velhos ociosos a jovens ignorantes" (com uma seta) ---> Diógenes Laércio (não lembro quem é)
---
(...) so old in my shoes
and what I choose is my choice
what's a boy supposed to do? (...)
the years burn
the years burn burn burn

posted by b.m. at 1:18 AM conceitu.e:
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Segunda-feira, Agosto 22, 2005


pessoa #5

Menina branca, esbelta. Olhos escuros, castanhos, talvez; não me exija exatidão, que os tais me cegam o entendimento. Cabelos encaracolados; diz não gostar deles: constantemente soltos, logo presos, depois retocados, mais uma vez presos. Menina inteligente, não conheço outra num raio de dez quilometros que lhe chegue aos pés. Simpática, eu diria, mas com reservas, medidas as pessoas, as circunstâncias. Parece se preocupar, em verdade, com os outros, e isso se me mostra raro, não sei se a ti, leitor. Parece ser absolutamente confiável, e isso se me mostra incrivelmente raro, não sei se a ti, leitor. Um intervalo na coerência deste mundo, ou talvez na minha; ah, do sorriso dela não te falo, pois o sorriso dela não cabe cá: caberia, quem sabe, no espaço de música em que nos vem reminiscências. Não me peça exatidão, que à prosa não cabe a verdade, embora poder-se-ia explicar tudo em esboço de verso, assim como foi feito: olhos que cegam.
Se é que me entende.

posted by b.m. at 10:16 PM conceitu.e:
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Sábado, Agosto 20, 2005


filosofia das folhas velhas.

Tenho alguns cadernos com anotações. Não são nada lineares; algumas páginas falam de livros, outras de filmes, outras possuem citações das quais desconheço o autor. Versos perdidos, poemas não completos, parágrafos de histórias que não sei para onde iam na época.
A idade dos textos é variável, e deixar em aberto se são ou não atuais dá vazão para análises apressadas, como é de costume.
Também é inédito tudo o que esquecemos que existe.

posted by b.m. at 7:35 PM conceitu.e:
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excerto de poesia.

o que foi que me aconteceu
assim, tão rápido
o que foi que ocorreu, o que me tirou,
assim, tão rápido
aquele calor daquela crença sem razão?
o que foi que me tirou tanto e
mais do que apenas ladino
me atirou em incerteza e na promessa de
ainda mais dias de incerteza
e ilusão?
tão rápido - agora pouco sorria
sorria, em verdade
ria até da tristeza, quando feita saudade
palabras embalde? dissera eu:
triste é não sentir saudade
triste é não ter o que lembrar
crueldade, enfim, seria se me privassem
das coisas pelas quais choro.
(...)

posted by b.m. at 7:35 PM conceitu.e:
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prosa abandonada.

Um quarto trancado, com uma fonte de luz fluorescente no meio do teto. Os móveis e a porta (feita de mogno, com entalhes em lingua oriental) estavam lustrados, o chão fora encerado; as paredes, repintadas. Tudo era limpo, tudo brilhava ("o branco das paredes" riscado).
Ele não era um menino, não obstante, se considerava um - nunca tinha ouvido outra designação para o que era; podemos supor que sua noção de tempo - passado, presente, futuro - era bastante precária. A ele o tempo era uma massa viscosa que se mantinha no mesmo lugar. (fim)

posted by b.m. at 7:34 PM conceitu.e:
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Quarta-feira, Agosto 17, 2005


interatividade, por favor.

Tenhamos interatividade, por favor. Conhecem pessoas como essas, estas cá descritas?

posted by b.m. at 12:04 AM conceitu.e:
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Terça-feira, Agosto 16, 2005


pessoa #4

Loira. Olhos verdes. Baixa, magra, prováveis dezoito anos. Vestia uma camisa de moleton cinza, daquelas com bolso na frente e um escrito qualquer estampado. O cabelo vinha um pouco abaixo do pescoço, perdia dois terços do tamanho nas proximidades do rosto. O sorriso dela é típico de meninas que sofrem cortejo com certa freqüência, sorrisos coniventes, complacentes, e que não prometem nada, já que são para todos. Há alguma coisa estranha no rosto dela, na minha opinião. Com ela sentada na carteira, quase em diagonal, observei-a uns cinco segundos, para saber o que havia de estranho, enfim. A moça aparentemente percebeu, e enquanto jogava os cabelos pra trás e permanecia olhando a lousa, cheguei a conclusão de que o que havia de estranho era a testa, a testa lhe era grande demais. E as sobrancelhas, meio grossas.

posted by b.m. at 12:12 AM conceitu.e:
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Segunda-feira, Agosto 15, 2005


pessoa #3

Pessoa que conversa contando histórias, e tem idade para guardar uma porção delas na cabeça; aparentes quarenta, cinqüenta anos. Um pouco gordo, calvo, com cabelos (brancos) apenas nas laterais - não era um homem feio, apesar dos pesares. Uma bonomia na face, um sorriso de certeza que o acompanha enquanto fala; termina uma história, ou chiste, e diz um "anh" para recolher o efeito do declarado. Calçava sapatos beges, vestia calças pretas, camisa quadriculada alvinegra. Tem a delicadeza dos que contam coisas aos outros, que se resume em continuar a falar se o dito não tiver causado efeito, ninguém ri. Ele continua a falar, exagera os detalhes, a piada se dilui no discurso; nem parece que a intenção era fazer gracejo. Com freqüência, usa essas narrações para enfeitar suas preleções morais. Só lhe falta, talvez, a perspicácia, quem sabe a memória, para se lembrar quem ouviu suas histórias. Repetiu hoje, com os mesmos termos, uma ou outra novidade inclusa, a história do juiz. Do juiz e do motorista de ônibus, para nos fazer obedecer as leis de trânsito.

posted by b.m. at 11:57 PM conceitu.e:
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Sábado, Agosto 13, 2005


definição.

Percebi, em mim, uma tendência a acreditar que todo personagem descrito em história como sendo branco, salvo os casos em que a etnia é estipulada pelo autor. Um defeito de imaginação, talvez. Pediria a vocês que não cometessem a mesma tolice; imaginem a pessoa com diversas tonalidades, mais azul, menos azul, um amarelo-esverdeado envelhecido. Sépia. Todos os meus personagens são albinos. Todos os meus personagens são negros. Meus personagens, olhe no espelho, tem a cor inversa a qual você encontrar. Mas deixo que leia o texto novamente, com cor aparente a sua. Não faz diferença.

posted by b.m. at 6:07 PM conceitu.e:
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pessoa #2

Parou por um momento, frente a porta da pré-escola Santa Cecília. Segurava a caneta que lhe serviria para anotações; notei a pulseira, caindo um pouco abaixo do pulso, de metal, esfera, estrela, esfera, estrela. Mexeu um pouco com a caneta na mão, a mesma expressão no rosto, nenhum sentimento aparente. Já a vi sorrir, porém: (beiços grandes, ela tem, bochechas de certo personagem cômico. Parece não ter pescoço) "Você assistiria um programa com criança falando sobre o 7 de Setembro?", e ela deu uma risada, abafada, logo séria, falou do modo calmo dela. Creio que se pensa escritora, a vi lendo pedaços de textos em sites, tratando a criação como um processo. Mas há a calma dela. Espero sempre por algum caos na criação, uma movimentação que não é própria dessa moça; ela cria sem parecer criar, fala como se não estivesse falando. Caminha, sempre, meio para o lado, os pés em diagonal, abrindo, sabe? Como uma pata, diria uma parenta minha. Um pouco gorda. Seios com o mesmo volume da barriga, seios nada chamativos. Cobertos com a camisa vermelha, com linha de cores pobres nas extremidades - manga, gola, cintura.

posted by b.m. at 5:57 PM conceitu.e:
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Sexta-feira, Agosto 12, 2005


o inédito e as pessoas.

Balzac, um escritor, rapaz muito catita, descrevia pessoas nos seus livros, com o desejo mui humilde de rivalizar com o registro civil; ou seja, criar personagens assaz reais, de modo que - ah, vocês entendem.
A Marcely, uma blogueira, menina loura que morava em Praia Grande e que nunca cheguei a conhecer, embora a passagem daqui até lá seja de 2, 25; sim, a Marcely disse uma vez que alguém disse que as personalidades nem são tão originais assim, que são mistura, sempre, de um e outro elemento conhecido.
Este parágrafo e o anterior parágrafo explicam a razão dos textos seguintes.
Vocês entendem, claro. Abaixo, a primeira pessoa.


posted by b.m. at 12:06 AM conceitu.e:
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pessoa #1

Criticou três ou quatro pessoas nos cinco minutos em que fiquei na frente dela e da outra que a acompanhava, esperando uma brecha qualquer para falar. Rosto meio esparramado, meio triangular, quero dizer, quase isso, assim, assim; óculos redondos, o cabelo caindo em torno da cabeça como podia. Calça jeans, pernas finas, abertas, braços e mãos inquietos. Quando criticava alguém, não olhava no rosto do interlocutor todo o tempo. Olha esquerda, direita, enquanto fala, os olhos direcionados acima, daquele jeito, pensando. Não me lembro quem estava errado nas palavras dela, mas a crítica defendeu, em certa parte, que as pessoas que participariam do teste de vídeo deveriam ser apenas os que já estavam ali, no núcleo de produção. "Porque depois neguinho vem do nada", e em uma dessas ela perdeu uma chance, ou um teste. O nome dela, em meio a anotações e um email demasiado previsível do Google, eu tento deduzir: Thalita. Não a outra que aqui já foi citada.

posted by b.m. at 12:06 AM conceitu.e:
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Quinta-feira, Agosto 11, 2005


como postar no seu blog mesmo estando na rede da faculdade.

1 - Abra o Google.
2 - Escreva "blogger"
3 - Veja a página de resultados em que consta: http://www.blogger.com.br
4 - Peça para ver o que está em cache. O Google, permitido pela rede, abrirá, na sua janela, o Blogger, não permitido pela rede.
5 - Tente fazer login.
6 - Após o login, o Blogger aparecerá em tela inteira, sem nenhum problema.
7 - Dê um sorriso malicioso e se considere mui inteligente.
8 - Post-e em comemoração.

posted by b.m. at 5:46 PM conceitu.e:
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Segunda-feira, Agosto 08, 2005


fazer pessoas lerem.

Leitores de cá ainda não sabem, mas parei de vender imagens religiosas.
Por conta da faculdade, me envolvi com produção de TV. Olha que pomposo: faço parte do núcleo de produção do Espaço Unisanta, uma faixa de programação dentro do canal Santa Cecília, cá da instituição.
Um das coisas que tenho que fazer é procurar livros pra indicar.
Colocar na TV, capa, sinopse, e imagens ("Não se esqueça! TV é IMAGEM!").
Frente ao computador, decidi escrever minhas próprias resenhas, pois não gostei de nenhuma que achei na Internet. A mim parecia que sempre faltava pouco.
Leitores de cá podem até prever: que é que decidi indicar?
Clube da Luta_
Pedagogia do Oprimido_
O Menino no Espelho_
Narnia, The Lion, The Witch, The Wardrobe_
E fui fazer minhas resenhas. ("TV tem que ter frases curtas, linguagem simples!")
Mas não sabia ao certo como. O que faz uma pessoa ler um livro? Na idade média, presumo, não havia muita coisa a se ver no mundo, depois de uns vinte anos de vida: por isso as pessoas se matavam ou liam livros.
Em uma piada maior do que essa, posso dizer que o cristianismo só aconteceu por puro tédio, porque as pessoas queria ver o que ia acontecer de novo.
Enfim. Não sabia o que fazer para, por exemplo, minha mãe ler o livro que eu estava indicando. Como fazer o meu irmão ler Narnia?
Não há Vin Diesel, não há quatro ou cinco litros de sangue em Narnia.
Como provo a uma pessoa que, sim, em verdade, é possível se assustar, ter medo, de um livro, a ponto de jogá-lo na mesa. Olhar desconfiando.
Disse isso de Stephen King, daquele O Cemitério (depois da descrição da menina na cama. Vou negar que senti medo se você me perguntar.)
E negaram: um livro? Assusta? Bah.
Os livros lhes parecem sem novidades, e, sem esta, não há venda.

posted by b.m. at 9:52 PM conceitu.e:
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Domingo, Agosto 07, 2005


novidades.

Há muito tempo, eu vi em um filme, um rapaz dizendo: "Quando acabarem as coisas novas no mundo, quando tudo já tiver sido inventando: ai sim, é o apocalipse". Não me lembro o nome no filme, nem o vi inteiro.
Weber, um sociológo, um pouco antipático, mas que jogava sinuca com maestria, apesar de perder pra mim toda vez que bebia um quase nada de cerveja; bem, Weber, Weber disse que nunca poderíamos descobrir tudo.
Um poeta nos diz que ser eternamente o mesmo é insuportável para os espíritos mais afeitos à reflexão. Um outro fala por ele aqui.
É claro que eu poderia achar outros discursos sobre o tema.
O que quer dizer que o assunto não é nada novo.
O jeito de fazer as coisas que já são velhas, dizem os comentários, é tudo o que de inédito há no mundo. Como o ciclo de todas as coisas que há na natureza. Livros, novelas, desenhos, cds, quadros, posts, tudo se renova, tudo se repete.
Nossas vidas são recicladas, somos mera cópia.
E esta última frase também é clichê.
Mas esse blog, afeito à discussões que possam ser consideradas inúteis e infrutíferas, como procurar a verdade (mesmo que eu encontre frutos nos textos e nas respostas que tiveram); bem, esse blog há de discutir o novo.
Mude, mude. A salvação é pelo risco, sem o qual, a vida não vale a pena.
E parei de imitar o Saramago no estilo de texto.

posted by b.m. at 2:34 PM conceitu.e:
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Quarta-feira, Agosto 03, 2005


post de corte e de ligação.

Já falamos demais sobre a verdade. Falamos da verdade chamada "A Verdade", oh, qual é "A Verdade"? Procuramos ainda pela verdade nas coisas que acreditamos, em deus, no diabo, na sinceridade, no relativo que isso tudo é, perguntei e fui solenemente ignorado pela verdade que havia na nossa própria pessoa, que pra tantos cantos tinha tantas faces. A saber, o que conseguimos talvez nem seja a verdade, e sim o discurso da verdade. Encontramos, na procura da essência, uma explicação agradável. Tenho uma loja no meio da sala, se é que vocês querem saber, e ela me vende discursos para tudo, todos os dias. Tenho discursos pronto, com argumentos mui eficientes sobre o meio-ambiente, sobre os ataques terroristas, sobre as cores, sobre as posições que as pessoas devem usar para fazer sexo nas quartas-feiras de Sol, com as devidas variações para os dias de frio. Um dos grandes problemas para as pessoas que querem mudar o mundo é que já há um discurso sobre eles. Falemos de Sistemas. Falemos que um sistema possibilita que um cantor cante, que um sindicalista proteste, que um escritor escreva, e somente isso, porque há discursos para o ativismo. Não, não falemos de sistemas: há um discurso pronto para as pessoas que falam do Sistema. Será, perguntam as paredes, que nós nem ao menos tocamos nas coisas, dadas a nós essas palavras de praxe, que nos fingem um domínio da coisa? Um dos grandes problemas para as pessoas que querem mudar o mundo, é que elas são assimiladas; sabe-se o que vai fazer, deixa-se, isso e somente isso. Nesse mundo em processo de absorção, para o bem do próximo post: o que há de novo no mundo?

posted by b.m. at 9:59 PM conceitu.e:
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Terça-feira, Agosto 02, 2005


bloggin' out of loud.

Dois anos de sobrevivência: se considerado obra, esse blog é a mais longa, a que mais tempo resistiu. Dois anos (e, para parecer mui intelectual) vinte e um livros, cinquenta filmes, vinte e cinco albúns novos, ainda não o bastante; isso só pra constar. Já cansei de dizer, a única coisa que esse blog deu foi a chance de conhecer essa, aquela, e aquela outra pessoa. Claro que nomes não são necessários, as pessoas não-citadas sabem quem são, oras.
Havia um post nesse dia, no ano passado, que dizia que eu aceitava outra rodada de cartas com o destino. Ele olha para as que ponho na mesa, decide que vai mudar algumas regras. "Filho da puta", eu digo, mas continuo jogando.
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Amanhã volto com a programação normal, que hoje eu fico ouvindo o 4 dos Los Hermanos.

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