Domingo, Julho 31, 2005
prbns pr vc.
Hoje, quando acordei, havia barba no meu rosto e quarenta centímetros a mais nas minhas pernas. A mim foram dadas grandes doses de sabedoria, graças às quais agora posso entrar em qualquer lugar e sei lá, morrer com duas garrafas de Cachaça Santa Cruz, com a santidade da minha escolha, que ontem, nesse mesmo horário, não valia nada. Disseram que agora é hora de criar juízo, e já comprei dois saquinhos com sementes, ei de plantá-las no jardim, ver que planta que dá, serve pra suco? Dizem que fede. E esse negócio, responsabilidade - eu disse, pai, que queria um Hot Wheels, daquele que explode, e você me vem com essa de responsabilidade. Hoje, quando acordei, acordei mais cansado, e se me chamassem pra sair, eu iria preferir a minha dor de cabeça por companhia. Já colocaram duas ou três contas - água, gás, telefone - cá do lado da cama, pra que eu me acostume. Minha avó me deu seu otimismo: "Dai pra cima é só desgraça". Parece que ninguém sabe dar presente nesse mundo, menos uma menina de Minas, qual mesmo o nome dela? - me deu umas cordas de violão. Vou mandar pra ela uma de minhas composições ruins, dizer que é conceitual, tudo é conceitual, tem objetivo artístico obscuro, ser adulto é poder escrever Macunaíma e todo mundo dizer, uba, oba, que supimpa, ele esqueceu as vírgulas. Vou ligar pro Diogo e dizer que esqueci como que se roda pião; me esqueci até de como se joga trilha. Hoje, quando acordei, já estava usando gírias velhas. Não consigo brincar de boneco, apesar de ainda representar as explosões bastante bem, com som e saliva (quando com muita força o adversário os golpeava, com mais força eram jogados contra a parede, subsequentes onomatopéias). Trejeitos de cansaço e honrada resistência copiados de Cavaleiros do Zodíaco. E, sempre quando tem visita, o boneco diz: você é meu amigo? Ou coisa qualquer, olha só que brilhante, diferente das instruções que agora leio com afinco: 1 - Sorria; 2 - Por favor, obrigado, não tem de quê, tá quente hoje, né? 3 - Vamos sair na sexta? Ah, tenho que cuidar da minha afilhada. Daqui a cinco minutos, ainda mais velho, não rio mais de cerveja, vou tentar rir (tentarei, com esforço santo) da Zorra Total, ou seja lá o inferno com que esses seres enfeitam suas noites. Não tenho mais espinhas, meus problemas não se estouram a base da unha. Pô, seu Jorge, amanhã é o aniversário da Julinha - deus, lembrai-me que existe Clube da Luta, pra que eu saiba o certo; pede demissão que sua mulher te corta o saco, me diz papai-do-céu, isso é que é certo. Pagou a conta d'água? Paguei, ô inferno, de tanto que me pergunta eu já tinha pago essa conta umas três vez? Hoje, quando acordei, podia bater portas sem que ninguém dissesse: ah, é adolescente. Talvez, mais tempo e a Caroline me pague dois copos, pergunte, dona Lelê brigou com você? Rimado, desse jeito. Hoje cresci e passadas duas horas, estava a engolir cevada líquida, dizer ao Danilo: essa vida é mesmo uma merda. É mesmo, né? Só vale a pena pela alegria de reclamar junto com vocês. É mesmo, né?
Com quem será
com quem será
com quem será que
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Terça-feira, Julho 26, 2005
a apresentação dos materiais.
A saber, esse blog não é verdadeiro. Há quase dois anos atrás, quando eu tinha um visitante, sim, ele era realmente sincero, naquele instante os pensamentos escritos eram (quase) exatamente os que me passaram pela cabeça. Assim concebidos, assim expressos. Visitantes me levaram a suposições de expectativas, mas nada mudou muito, exceto uma abstração ou outra, uma frasesinha mais surrealista para que nem toda a torcida do Corinthians soubesse da minha vida. O que estava expresso, sim, podia ser exatamente o acontecido, mas não havia nomes, não havia datas: a sensação podia estar ali, mas não haveria como encaixá-la em mim, não daria pra tocar no assunto sem dizer, e aquele texto, fala disso aqui? E isso, é claro, eu não respondo. Um passo para a defesa é medir as palavras, alguns se tornam bons nisso, e viram poetas, escritores. Não acredito em escritores totalmente sinceros. Se me considera escritor, seria sensato não acreditar totalmente em mim. Afinal, nem esse blog é completamente verdadeiro, porque eu escolho o quê dizer; visitantes que já me viram, um em cada contexto, e as histórias tem que parar nesse ponto, pra que isso não ocorra, e naquele ponto, pra que esse outro, e nem chegue até aquele fato, porque tal. Sabe-se que vendo santos, mas pensa-se que as histórias contadas são as únicas. Quando pequeno, me falaram da história do tigre que queria comer o gato. O tigre queria, mas o gato era rápido, matreiro, ligeiro, e o tigre resolveu pedir lições pra ele. O tigre que queria comer o gato ficou rápido, matreiro, ligeiro, e foi comer o gato. Gato pula rodopia cai de pé, mas que pulo é esse, pergunta o tigre. O gato se resguardou um pulo-master. Essa foi a primeira história que escrevi na vida. Não me lembro de ter contado tão cedo à professora que a história não era minha, e me foi contada.
Não me vês. Não vê os que estão a sua volta. Perceba-se cego.
Obrigado.
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Sexta-feira, Julho 22, 2005
talvez mais do que uma resposta só.
Um moço nos diz que as verdades relativas são um câncer, assim como o desrespeito às inverdades alheias. Há de se concordar: aceitar que, sim, senhor, as verdades são relativas, é um passo para a tolerância, mas não é plausível que se viva sem um conceito que não nos seja guia. A verdade deve estar acima das pessoas; assim como não podem evitar que o vento fique volteando - a verdade nos deve ser superior. Mas, talvez, só talvez, estejamos considerando apenas um ponto da questão: diz-se, o que é a verdade? E pensa-se na questão moral, em livros de regras, mas vê lá, e se eu perguntar a verdade que existe na minha pessoa? - Você é suas ações, me diz minha mente, mas vê lá, que minhas atitudes mudam de pai pra mãe pra amigo pra namorada pra cachorro, e se meus atos variam, o que sou de verdade (verdade) varia? Aquilo que sou; um escritor diz que dentro de nós há uma coisa sem nome, e isso é o que somos. - Mas isso é necessário, sem diferenças não há convívio, diz minha mente, e eu lhe respondo que concordo, mas que a idéia de mim mesmo se perde no contato. Sem diferença não se evolui, ele diz, e, portanto, concluímos que o fim das diferenças é a Perfeição, pois não há mais o que ser feito. Sem sagrado não há profano, mas isso não torna nada sagrado nem nada profano, as coisas não ficam más em si pelo nome. Sem eterno não há sagrado - e os sistemas da natureza, veja a sua samambaia logo ao lado, eles todos terminam, você próprio termina, nosso período de vida é toda a nossa noção de eternidade. - Tudo o que é velho e se sustenta tem autoridade; a custa de quê isso se sustenta? Deve haver três assuntos acima, nem minha coerência se sustenta.
Se possível, que alguém me venha falar dessas verdades que custaram sangue.
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Terça-feira, Julho 19, 2005
dois assuntos do mesmo tema.
Quando discussões demoram muito tempo, nem nos lembramos mais do que estavámos tentando provar ao outro. Esses textos, eu os lembrarei, afirmaram que não há possibilidade de verdade absoluta. Também disseram que cristãos e correlatos são tão estúpidos quanto os personagens de Gulliver, em guerra porque um dos lados quebra ovos de jeito diferente. Uma frase disse que nega a verdade de uma Igreja que não une, e sim separa. Em algum ponto deles, foi contada a histórias dos negros trazidos ao Brasil como escravos, oriundos de tantas raças quanto as que por lá havia - negros o bastante para revolucionar São Paulo, para mutilar o sistema vigente. E algum desses textos comentou: sabe como faziam para que os escravos não se rebelassem? Como eram de tribos diferentes, deixavam que cultivassem seus velhos ritos, lembrassem antigas ofensas, preservassem inúteis guerras. O sagrado, ah, o sagrado, como a roupa invisível do Rei, que só os inteligentes podiam ver. Lembrará, com certeza, do momento em que nos contaram: a mentira é diferente da verdade, pois a verdade liberta; e, nisto implicíto, estamos enganados em mentira, estamos presos, em verdade - pois procuramos - é, a razão desta série de textos. A verdade, essas palavras ditas disseram: é relativa ao contexto, e o contexto, torna-se, portanto, o que importa. A palavra "contexto" nos diz: você é parte do todo, e a sua verdade deve ser a verdade do resto, deve restar a verdade, retirando-se dela as pessoas. Idéias. Um dos problemas para o encontro da verdade é termos assuntos nos quais achamos que não há chance de achar verdade. Idéias fortes valem vidas.
Consideramos aqui vidas como sendo relevantes.
Pois me relaciono, logo, existo.
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Sexta-feira, Julho 15, 2005
torre de babel.
Sou vendedor de santos, e vou de porta em porta oferecendo as imagens às pessoas. Deus, quando os seres cometeram a audácia de tentar chegar ao Céu, pôs o mundo em confusão, e agora eles falam línguas diferentes: uma criancinha olhou a santa, uma Nossa Senhora Aparecida na caixa de madeira em que a carrego, e disse, uuuugh, não sou disso ai não - andou, deu meia volta, uuuugh, é da Igreja Católica, né? Expressou mais uma vez seu desagrado e me deixou sozinho - foi assim, e não com dialetos diferentes, meus enganados leitores, que a divindade em questão separou todos os povos sobre a Terra. Uma senhora me avisou, por interfone, que Jesus me amava, o que significa que não, ela não quer uma imagem - porque, diz uma outra, são imagens feitas de barro ("de gesso, senhora"), digo, pela mão do homem. E não valem nada, há quem vá dizer isso as duas mulheres que viram a caixa abrir, se abaixaram e levaram as mãos de ósculo à imagem? Sou vendedor de santos, e o preço que peço, disse um senhor, é pouco, olhe só, já estão vendendo até imagem da Santa, e nem que enchessem uma galpão que nem aquele ali com notas de cem valeria um Jesus Cristo. Temos de duas versões: crucificado ou ainda vivo, com o coração de fora, brilhando - ah, vocês sabem. Agora, vê bem que quase dizem a mesma coisa, e diriam com toda a certeza que Deus é a Verdade, não percebendo que isso implica na sua união, isso implica na irmandade de vocês, e se nem padres nem pastores dizem tal, eu nego a verdade desta Igreja. Deus é a Verdade não dá a verdade, apenas coloca uma nome diferente nela. O Evangelho é a Verdade não diz a verdade, apenas aponta um lugar qualquer - está por ali, ó. Ah! Você não está vendo?
Só os iluminados podem ver, caro rapaz, como naquela história do rei.
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Quinta-feira, Julho 14, 2005
pausa, talvez.
Perdi. Mais um derrota, e essa me lembrou que havia um estante cheia delas, eu, que já aprendia a ignorar a existência do móvel. Não, não me pergunta o que é que foi, que me faz um favor. A idéia é que perdi cá deste lado do mundo, e neste outro, no blog, devo falar, ainda, sobre a verdade. Nosso tema, enfim; meu irmão agora tenta me melhorar a vida, dizendo que eu perdi, mas que foi combinado, por que vocês perderam? Olha, vê como eu perco o fio da meada rápido? A verdade, a verdade. Mas esses são posts que com certeza conterão mais perguntas do que respostas, eu não posso dizer a sua verdade, posso até saber que é bem fácil ler em algum lugar o que você é - mas o provável é que se descubra, daqui a dez anos, tão ignorante quanto a vinte e oito. A verdade, a verdade, qual a diferença? Se o mundo, em verdade, for controlado por duendes azuis, ou, quem sabe, por hienas demasiado inteligentes, ou, não ter razão alguma, saindo de uma explosão, formando assim coisa gigante em que cabe tudo - não faz diferença alguma. Toda essa filosofia, diria um escritor, não serve se não te ensinar a fazer uma nova receita de peixe. Toda essa merda, se não muda a sua vida, não faz diferença alguma. Perdi, perdi, e toda essa filosofia, a única coisa que faz, é me manter de pé.
A verdade. Qual a diferença? A mentira lhe é igual.
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Segunda-feira, Julho 11, 2005
tema_1: a verdade.
Nos comentários, foi dito que a Bíblia nem é tão legal assim, pois tira sua verdade das verdades que estão nos outros mitos. Um certo rapaz, mero cristão, afirma que a igualdade entre os mitos é que afirma a verdade destes mesmos, e que são só visões da mesma coisa, por pessoas diferentes. Falaram, nos comentários, de fascínio pelo mal, mas acreditamos que não, já que o mal aparece confuso, confundido com o bem; e quem é que não dirá: precisaríamos de uma fronteira, em que se dissesse, aqui é o mal, alí é o bem, prestenção, não pisa mais pra cá não. Pois, dizem nos comentários, o maniqueísmo, o bem cá, mal lá, nos serve bem: um mal para que o Bem pareça legalzinho, um diabo para que permaneça nossa moral, ladrões fora para que dentro nos pensemos mui seguros. Ah, a fronteira. E essa fronteira teria verdade em si, razão em si, mas a Bíblia, pode ela ser, se é tão multifacetada, que dá tantos interpretantes quanto as doutrinas que existem no mundo. Não há de ser verdade a verdade que um homem tira da verdade bíblica, baseada na verdade quase-vista por um e outro, de cada rito. Mas o que é a verdade? A verdade, a verdade é uma piada, a verdade não vale uma gota de porra. Ao homem mais feliz do mundo, que come, bebe, cheira sem se preocupar com o porvir, que come todas as mulheres que deseja sem camisinha, que utilidade terá pra ele a verdade?, é isso que diz um rapaz daí da internet, sobre o nosso tema. E há quem não concorde com ele, e não concorde comigo, nem com esse que não concorda comigo, que, ô inferno, o que é a verdade, o que mais se pode dizer desta, senão que é relativa, relativa a quê? Relativa ao contexto, mas quem disse isso foram os homens que mataram Sócrates, e sou muito tentado a não gostar das pessoas que mataram Sócrates.
Talvez eu tenha me perdido aqui ou lá. Não?
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Sábado, Julho 09, 2005
quarto conceitual: pré-tema de ligação.
Não conseguia achar o que dizer sobre os textos escritos, destes que versaram sobre nostalgia, esperança, ódio e toda a complexidade da liberdade, se é que vocês vêem as coisas como eu vejo as coisas; o provável é que não vejam, como é o caso de uma carta que está aqui, um pouco abaixo, que se remete ao diabo - a saber, Asmodeus, que, até onde sei, foi o rapaz que tentou Eva no paraíso, com aquela história de come a maçã, menina, ah, vai, qual o problema. Asco, ódio: as pessoas não gostam do capeta; mas vejamos Lúcifer. Há uma série quadrinesca que trata desse personagem, e o personagem não me parece mal. Lúcifer, o pai da mentira, mas, vejamos, nas palavras dele, que assim qualquer um sabe o que ele é, sempre, em qualquer ocasião. A sinceridade de Lúcifer reside no fato de que qualquer um sabe que está sendo usado quando trata com ele. Mas a verdade aqui ganha um sentido todo estranho, sendo que ele não é falso porque se conhece que mente, e ele é apenas verdadeiro com sua própria essência. A verdade, a verdade - há uma tentativa maniqueísta de colocar a verdade aqui, a mentira ali, o bem num pote, o mal num outro; mas as coisas podem ficar um tanto confusas com esses contextos diferentes. "Eu vou te fazer mal", com sinceridade absoluta, é tão admirável quando "só te farei o bem". O diabo, o diabo, caros senhores da platéia nos aparece, destarte, mui cristão - ele dá a cara à tapa. E é claro, creio que ao menos nisso concordamos: há bondade em Lúcifer, afinal, ele era um anjo, e, afinal, Deus fez os anjos com toda bondade, sabe, esse Deus cujos desígnios sabemos tão pouco. Mas ele os sabe, e tem tudo sob seus olhos - nada, nada do que acontece do Universo está fora de sua compreensão. A existência do Inferno já era sabida pelo nosso criador. E isso me lembra um filme (9º Dia), em que um homem defende Judas, pois Judas foi necessário à crucifixação, à martirização, não existiria Igreja sem o traidor. Meu avô contava história, de que Judas era quem comprava as coisas para os apóstolos, pois era de família rica, e calharam de perguntar a ele se ele era cristão, se andava de conversinha com um tal de Jesus. E ele, que não negaria sua fé, afirmou que sim. E ele, que não mentiria, disse onde Jesus estava. Assim sendo, Judas traiu o Homem porque disse a verdade, e porque não podia deixar de dizê-la.
Assim, assim, se é que veêm as coisas como vejo.
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Quinta-feira, Julho 07, 2005
sete de julho de dois mil e cinco.
O homem que, por depoimentos confiáveis, sacode velhinhas crentes e tenta provar-lhes a inexistência de Edir Macedo. O homem que discute com quem quer que seja, e depois pára para conversar com a ausência ao seu lado, a quem ele dá o nome de Trunkael. O homem que cospe nas pessoas que não gostam de Evangelion. O homem que há de descobrir onde Deus realmente está e dizer: "Venci, palermão". O homem que faz aniversário no mesmo dia em que a minha avó. O homem que completa 21 no sete do sete, e por isso, hoje, ganha poderes extramiraculosos. Se virem alguém com essa descrição por ai, digam que lhe mando um feliz aniversário.
posted by b.m. at 12:47 AM c_onceit_u.e: |
post gigante cópia da corrente de música.
Quantos gigabytes usados com música:
No PC nunca há muita música. No Kazaa (eu insisto em usar o Kazaa) há 300 músicas, que hão de ser gravadas em cd e deletadas da memória em futuro próximo. 1, 25mb, mais os vinte e cinco cds mais próximos do discman.
Último CD que comprei:
Ganhei o Earphoria, do Smashing Pumpkins, que é uma coletânea com versões acústicas e ao vivo. Tem as melhores do albúm Siamese Dream (Disarm com distorção ^^) e umas outras. Gravei o cd Ideal Crash do dEUS, com uma certa ajuda do André, e é bom, pessoas, bastante bom. E comprei um dvd do Pearl Jam, ao vivo em Nova York, com um rapaz desconhecido que na parte viajeira de Daughter cantou: "i can change the world, with my own two hands".
Música tocando no momento:
Geek U.S.A., Smashing Pumpkins, porque essa lista me lembrou que o cd existia. Tinha ouvido Björk antes, músicas do meu conhecimento infímo de Björk, ouvi antes Green Mind do Dinosaur Jr. - do cd homônimo, mas se for para ouvirem, ouçam o albúm "Where you been".
Cinco músicas que tenho escutado bastante:
Teachers, do Leonard Cohen ("some girls wander by mistake into the mess that scalpels make - are you the teachers of my heart? we teach old hearts to rest");
Diamond Sea, Sonic Youth, ("you better watch yourself when you jump into it 'cause the mirror's gonna steal your soul");
Shelter from the storm, Bob Dylan ("try imagining a place where it's always safe and warm - "come in," she said, "I'll give ya shelter from the storm");
Sister Dew, dEUS ("please forgive me if I keep on smiling, but every sad story has a funny side in, from that moment on I felt like crying... every day")
The Scientist, Coldplay ("questions of science, science and progress, don´t speak as loud as my heart"). Eu nem diria isso em voz alta pra alguém, eu nem usaria alguma frase com "meu coração disse pra". Só que essa música não me sai da cabeça.
Que cinco discos você levaria para uma ilha deserta, junto com um toca-discos e um estoque ilimitado de pilhas?
Tem cds que eu escuto em um tempo e fazem sentido em tal e tal época. Tem outros que atravessam os anos, e fazem sentido sempre. O Nimrod do Green Day é um deles, eu gosto até da música idiota, a King for a Day. O In Utero do Nirvana, mesmo que eu pense que o Nevermind algum dia fará falta. O Vitalogy do Pearl Jam, mas bem que eu queria o No Code. O Songs of Love and Hate, do Leonard Cohen, que não passou pela prova do tempo, mas o homem é bom. E a banda brasileira que mais fez sentido, por um tempo incrível e com mais intensidade do que Legião Urbana: o Dance of Days. E não quero nenhum da discografia, quero exatamente aquele que me gravaram e que começava com o Fábio Altro gritando: "correção - não deves compreender a ida". "Acorda cedo, acorda cedo pra ver quanto tempo perdeu com tanta areia na vista; o corpo decompõe e não há nada que devolva a sensação de ainda termos tanto a viver, termos tanto a ver, com correntes na pernas e bocas em xilocaína". E depois Macaco com Navalha, e depois Nos olhos da Guernica, e depois Pregos, Cruzes e um Saco de Moedas, Vinde a Mim, No Rastro de Teseu, Horizontes de Outono - deus, cabei de lembrar porque gosto dessa banda.
Pessoas para quem estou passando:
Pra Lara, que eu creio que responde, e pra duas pessoas que provavelmente não verão esse post e não responderão: o Marco, daqui, e o Marcel, de lá.
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Terça-feira, Julho 05, 2005
crt à pssoa que mais odeio em todo o mndo. [rewritten by_John]
Ora, olá.
Vi seu programa essa semana. Incrível como você consegue esconder o rancor, o ódio, o escárnio total que você tem pelas pessoas em seu palco. Você as afaga a cabeça, segura suas mãos, elogia suas vozes desafinadas, mas eu - eu sei. Eu sei o que tem por trás de sua máscara, sei que mandíbulas de aranha se escondem atrás desse sorriso aberto, conheço os chifres ocultos pelo mau penteado. Você muda, você sempre muda, você é a mutabilidade encarnada, mas conheço a podridão de seu toque, e temo você mais do que nunca. E elas não! Seu canalha. São crianças dançando e rodopiando de sainha naquele palco, maldito. Crianças fazendo aquelas dancinhas que seriam lascivas se as dançarinas não fossem tão inocentes, que seriam ridículas se não me irassem tanto. E você adora. Você adora sentir a adoração vindo de velhinhas assistindo o show em seu sofá, a adoração de pedófilos sorrindo largamente ao verem uma moreninha de cinco anos rebolando junto a seu par, a adoração de pais que forçam os filhos a ensaiarem aqueles passos feios para que chamem atenção, para atingirem algum tipo de sucesso, para que suas crianças cumpram algum sonho estúpido que os céus (em sua infinita misericórdia) impediram que eles mesmos cumprissem. E você ama aquilo, a adoração do povo - e o que é a adoração senão a manifestação física, verbal ou mental da admiração? Você ama criar sucessos, ama pegar um crentezinho que pensa saber cantar e fazê-lo um cantorzinho de sucesso temporário. Eu te conheço, asmodeus. O Senhor te repreenda!
Sim, o Senhor te repreenda, porque eu não sou páreo pra você, né?
Aliás, pra quê você queria o corpo de Moisés? Pra bater no corpo morto, pra se vingar um pouco na casca vazia já que o odiado Moisés já tinha pulado fora pro paraíso? E por que raios de razão Miguel queria o corpo, ao ponto de ir aí lutar contigo por ele? Pra empalhar, pra colocar como decoração no escritório dele? Pra deixar enterradinho porque é coisa muito feia ficar mexendo com o cadáver dos outros? Eu sei lá, você o conhece melhor do que eu. Mas então, se ele não ousou dirigir ofensa a você, mas antes disse "O Senhor te repreenda", não sou eu que vou sair zombando de você. Mas...
Você só existe, em minha mente, em escárnio e desprezo. Tenho amigos que pensam que "seu personagem" (eles não acreditam que você realmente existe) é admirável, mas só porque eles não gostam das autoridades, e você se opõe à autoridade máxima de toda a existência; você é o rebelde, o líder da resistência, o grande Che Guevara do universo.
Ninguém olha para o porquê de sua queda: você queria se tornar como Deus. Você não lutou por algo melhor, lutou por interesse próprio, para que o universo se tornasse seu, e não Dele - e você perdeu, mas não sem uma pequena vitória. Foi chutado para fora da Presença ("Vi Satanás cair como um relâmpago..."), mas arrastou um mundo inteiro junto com você, além de um terço das hostes do céu. Amigos meus admiram seu personagem, mas só consigo te detestar por completo. Não porque você odeia a Deus, mas porque, querendo ser Deus, você é consumido por um amor a si mesmo. A queda do homem, a guerra contra os céus, o apocalipse, tudo- tudo por amor e interesse próprio, consumindo nações e vontades para dentro de si, detestando tudo o que não é você, a grande criança egoísta que quebra seus brinquedos quando se cansa deles.
Então, eu te odeio. E tudo o que odeio, eu ridicularizo. Aliás, tudo o que eu amo também, mas isso não vem ao caso. Pensar em você, e não pensar em cuspir em seu nome, em me perder em alguma fantasia screwtapiana, é quase impossível. Não há temor real por você, apenas desprezo; não há medo que não seja excedido por minha vontade em fazer você assunto de riso e chacota. Te odeio, e é engraçado- onde já se viu alguem ter uma atitude diabólica contra o próprio Diabo? Homens mais santos e mais sábios do que eu já zombaram de você impunes, e se o arcanjo Miguel teve de apelar pra Deus, foi covarde demais. Devia ter te chamado de filho da mãe e avançado pra cima de você; quem sabe se tivesse feito isso teriamos uma bíblia mais interessante. Como eu disse, homens mais santos e sábios do que eu já te insultaram publicamente, já tiraram sua máscara de revolucionário e mostraram seu verdadeiro rosto: vulgar, tolo, insuportável.
E é esse rosto que enxergo na televisão, nesse seu programa, nesse seu show de calouros. Por enquanto eu fico quieto, e tomo conta de minha vida. Mas um dia eu volto. Um dia eu te pego, e quero ver você reclamar. Por enquanto, assisto a televisão, leio meu Lewis, e fico no meu canto. Esperando. Qualquer dia apareço no estúdio, Raul, e veremos se Miguel tinha motivo real pra ficar com medo.
Até lá,
John Santos
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Domingo, Julho 03, 2005
she said: you are never going anywhere. [rewritten by_trunkael]
(i feel like i´m disappearing, getting smaller everyday
(dreaming, dreaming, of a ____ like me)
Ando sobre o mundo que gira e gira sem olhar para o céu (o céu que fui eu que criei e decido que não preciso dele), minha consciência tenta abraçar o mundo mas ainda esbarra em certas fantasias que de muito duras já se quebraram. As luzes que antes dançavam alegremente já definham sob seu próprio peso.
Como no final de uma nova gênesis a música de fundo ecoa "whats done is done, it feels so bad what once was happy now is sad I'll never love again my world is ending". Passam todas as almas e já não me sinto mal, são amigos todos parte de um só.
(i feel like i´m disappearing. getting smaller every day.)
E ainda que tudo voltasse ao normal eu abdicaria, não importa se todas as músicas tentam buscar a mesma coisa, tudo no final se torna tão inútil quanto um deus que mesmo onipotente não consegue dar fim a si mesmo (assim como qualquer outra fantasia, diga-se de passagem). Existem letras para definir qualquer coisa mas elas nunca resolvem nada.
(but when i open my mouth to sing
(but when i look into your eyes
(i´m bigger, in every way. )
Me livre desses determinismos hipócritas, mesmo que eu queira segurança, a liberdade ainda é a melhor possibilidade de (sobre)viver, que eu morra atravessando uma parede de concreto em alta velocidade e sem cinto, mas que ninguém tenha possibilidade de cortar minhas asas a não ser que me ame mais do que eu mesmo poderia amar.
(i can still hear momma say: "honey, don't let it go to your head")
O ângulo a qual você-deus me observa ainda mesmo que com toda a luz natural ou artificial que conseguir não vai mostrar nada mais que uma de minhas faces. Não interessa quantos espinhos seus esteja dentro de meu corpo, você só conhece uma pequena parte que vai durar pouco mais do que até a próxima cena.
(hey, mom! look, i'm up here, finally made it! i finally on my own. )
Tenho a liberdade de olhar para dentro e ver o que eu quiser, mas isso não impede que as verdade pulem a frente de meus olhos, seja o passado, futuro, medo dos dois. Ainda que houvesse um fim sem eu poderia escolher o caminho fácil, ainda que não precisasse me machucar eu ainda tenho liberdade de escolher, ainda que me chame de covarde eu tenho o livre arbítrio. Não é o fim até que eu decida que seja.
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